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Lume

quinta-feira, 10 de junho de 2010

o Poeta é, assim como Deus, sem gênero,
embora a lusofonia,
o código do qual lanço mão,
tenha-lhes querido impor um.


ora, hão de me indagar
se este Deus unífico

magnífico


sendo inesgotavelmente
fecundo como é
não teria, todavia
um sexo.

eu respondo:
simnão.

sim,
porque Êle os contém
(só Êste Deus
Meta
Prolífico
Físico
é verdadeiramente capaz de algo conter)

e não
pois o sexo, juntamente com o resto
de todas as outras coisas-estado
sem exceção,


é que emprestam de Deus a divindade do Ser,

transformando-se, por sua vez
nos mais diversos
fenômenos mágicos, belos
do Si Universo contenedor de universos

de onde desabrocham versos
como galaxiflores em suspiro.

o Poeta sim,
pode,
eventualmente,
ter sexo.

(alguém por aí já reparou que o Não
sempre carece mais de argumento
e de rebusque do que o sim?

a treva se pensa maior do que a Luz
porque a tudo acolhe, ingnorante
de que na Luz se vai onde a treva
não pode enxergar

aliás,
a treva nada enxerga
além da própria
autófaga escuridão)

Pois bem, e o Tempo
- a medida dessa nossa vitrual
couraça de carne mortal,
um dos algozes de Deus -
precoce, doce, manso
não escraviza o Poeta
porque o Poeta se sabe
ter emprestado o indelével
espírito Seu cosmonírico
e também sabe ter-se
deitado consigo,
no incesto do Atempo,
a Poesia

- essa dama mutante
em beleza
essa musa que posa
de brincos
no desabrochar
de cada momento:
essa sim
possui, para mim,
género.

não, reitero,
o Tempo não
escraviza o Poeta

porque Tempo e Poeta
se ombreiam numa batalha epopeica
ainda sem vencedor

entretudo, o poeta compreende
que a história
o passado o futuro e o presente
se escondem, misturam
componentes
do Agora que dança.

por sempre criança
recém-nascido
de si mesmo
como Êle
como o Poema

e ambos, Poeta e Tempo
se curvam diante de Deus
que, autogâmico, recria-Se
perenemente em cada dobradiça
onde o Espaço e o Tempo
dão-se as mãos
e se curvam numa cordial respeitosa
reverência ao Poesíata:
nosso mais gentilíssimo concebedor;
de cuj'alma nós somos apenas partícula.

O poeta, então, se ergue de pé diante Dele

e Este

lhe sorri

com os Olhos.

4 comentários:

Lis Motta disse...

Nossa, Conrado, acabei de ler esse poema com lágrima nos olhos...
meu deus...

E cá, dentro, meu coração gozou.

Abençoado poeta!
O Espírito de Deus te sorri!
Como ele te ama...

Isadora M. disse...

você e seus poemas tem sido mais críveis que o deus.

[quero link para ouvir lis e era brilhuz. elô me contou.]

Diego Barbosa disse...

teus poemas estão tão carregados de grandeza que me sinto lendo um salmo profano. belíssimo.

Isadora M. disse...

esse poema tem um tamanho imenso. reli agora e me deu vontade de ter palco para dizê-lo sem-fim.

é lindo, é vasto, vai durar.

esse poema é um castelo