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Lume

quarta-feira, 2 de junho de 2010

sou uma igrejinha(não grande catedral)

distante do esplendor e da sordidez das cidades corridas

- eu não me preocupo se dias mais breves tornam-se os mais breves,

eu não me lamento quando sol e chuva compõem abril


minha vida é a vida da colheita e da semeadura;

as minhas preces são as preces dos desgraciosamente esforçados filhos

(achando e perdendo e sorrindo e chorando)da terra

de quem qualquer desventura ou gozo é meu próprio descontentamento ou sorriso


à minha volta surge um milagre de incessantes

nasceres e glórias e mortes e ressurreições:

sobre meu eu que dorme há flutuantes símbolos que flamejam

de esperança,e eu desperto para uma perfeita paciência de montanhas


sou uma igrejinha(distante do mundo

frenético com seus deleites e angústias)em paz com natureza

- eu não me preocupo se noites mais longas serão as mais longas;

eu não me lamento quando o silêncio se faz canção


inverno por primavera, eu levanto minha torre diminuta ao

misericordioso Ele Cujo único agora é o sempre:

eis-me ereto à livre de morte verdade de Sua presença

(dando as boas vindas humilde, à Sua luz e orgulhoso, à sua escuridão)



texto por: E. E. Cummings

tradução: Conrado Segal

3 comentários:

Lis Motta disse...

bravíssimo!

FLÁVIA DE MACEDO disse...

Essa igrejinha esconde, em seu íntimo, uma catedral.

Camila Bravim Silveira disse...

o gozo final de ter entregue as pautas foi maravilhoso!!!rsrs
com direito a rio das ostras