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Lume

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sustentabilidade

O Poeta partira então pequenino
numa metaviagem

Numa jornada já não sem saudade
em busca de preciosidades

Consigo levava só diário de bordo
e de pura linguagem

"Cru e nu como vim ao mundo", pensou
"Sem mais apetrechos ou vestes fantasmas",
caminhou com calma

Destino: algo incerto - nada muito perto
estrata tortuosa

Para por fim tecer-se um véu de lindezas
em poesia lustrosa

De um seu espírito colecionador
se valeu muito embora

quisesse apenas coletar as pequenas
miudezas da vida

Dos sítios d'alma dentre os quais visitou
trouxe algumas palavras

Palavras que, frágeis de um quebracabeça,
são carícia e navalha

A alma fecunda do poeta fora
- pra além de Sodoma, depois de Gomorra
transpondo o muro das Verdades e o abismo dos Esquecimentos
onde os germes ruminam e a gênese abunda -

buscar solo fértil
e semear-se.

8 comentários:

Lis Motta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lis Motta disse...

bem antigo, mas tem a ver:

http://temsereno.blogspot.com/2007/04/e-ela-num-dia-meio-da-correria.html

.......................
lindo poema, conrado...e esse título também; tem a grandeza de um poema!

Isadora M. disse...

é que só quem se sustenta, desenvolve-se...ou seria o contrário? bem, não sei...

sei que esse tempo fora fez bem a sua coleção de palavras.

belo poema!

Isadora M. disse...

faltou comentar: tenho achado seus poemas extremamente propositivos.

gosto disso...

Diego Barbosa disse...

caralho! ela começa com aquela musicalidade confusa de que eu muito gosto e pouco ouso, mas o que eu mais gostei estão nas 11 últimas linhas onde está o poderoso "crescendo" do poema.

muy hermoso.

Old Pirats disse...

vcs são tão queridos!

camila disse...

e aquele café, ainda está de pé?

FLÁVIA DE MACEDO disse...

Lindo!